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segunda-feira, 10 de março de 2014

Cientistas escravizam pós-graduandos e obstruem a ciência, diz Nobel de Medicina de 2002

As novas ideias na ciência são obstruídas por burocratas do financiamento de pesquisas e por professores que impedem seus alunos de pós-graduação de seguirem suas próprias propostas de investigação. E há revistas de artigos científicos que estão corrompendo a ciência, pois empregam editores que não passam de cientistas fracassados que atuam de modo semelhante ao dos agentes do Departamento de Segurança Interna dos EUA e são pequenos ladrões do trabalho alheio. Quem diz isso é um do maiores nomes da biologia molecular, o sul-africano Sydney Brenner, de 87 anos, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina de 2002, em uma entrevista publicada em 24 de fevereiro pela revista eletrônica The Kings’s Review, do King’s College da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.




Brenner recebeu o Nobel de Fisiologia e Medicina de 2002 com outros dois colegas por suas descobertas sobre o mecanismo de regulação genética do desenvolvimento de organismos e da morte das células. Formado em medicina na Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, ele se doutorou em química na Universidade de Oxford, no Reino Unido, país onde trabalhou no Laboratório de Biologia Molecular, em Cambridge, com Francis Crick (1916-2004), um dos descobridores da estrutura e do funcionamento do DNA. Depois de se aposentar, Brenner se vinculou ao Instituto Salk para Estudos Biológicos, em La Jolla, na Califórnia, nos Estados Unidos.

Ia ser só uma homenagem

A entrevista em que Brenner fez suas declarações bombásticas havia sido pautada inicialmente para ser uma homenagem a outro cientista com o qual ele havia trabalhado, o bioquímico britânico Frederick Sanger (1918-2013), premiado com o Nobel em 1958 e também em 1980, que havia morrido em novembro do ano passado.

Seguem alguns dos trechos mais quentes da longa entrevista.
A biologia obteve seu principal sucesso por meio da importação de físicos, que entraram em campo sem saber nada de biologia, e eu acho hoje que isso é muito importante.
(…)
Acredito firmemente que a única maneira de incentivar a inovação é dá-la para os jovens. Os jovens têm a grande vantagem de serem ignorantes. Porque acho que a ignorância em ciência é muito importante. Se você é como eu, sabe muito bem que não pode tentar coisas novas. Eu sempre trabalho em campos nos quais eu sou totalmente ignorante.
(…)
Hoje os americanos desenvolveram uma nova cultura na ciência baseada na escravidão dos estudantes de pós-graduação. Agora os estudantes de pós-graduação de instituições americanas estão com medo. Ele [o pós-graduando] apenas executa. Ele deve executar. O pós-doc é um trabalhador contratado. Agora temos laboratórios que não funcionam da mesma forma como os primeiros laboratórios onde as pessoas eram independentes, onde elas poderiam ter suas próprias idéias e persegui-las.
(…)
Mas hoje não há nenhuma maneira de fazer isso sem dinheiro. Essa é a dificuldade. Para fazer ciência é preciso ter suporte. Hoje, os apoiadoores, os burocratas da ciência, não querem correr riscos. Portanto, para apoiar alguém, eles querem saber desde o início como ele vai trabalhar. Isto significa que você precisa ter informações preliminares, ou seja, que você é obrigado a seguir o caminho estreito e apertado.
(…)
Acho que a revisão por pares está obstruindo a ciência. Na verdade, acho que ela se tornou um sistema completamente corrompido. É corrupto em muitos aspectos, como no fato de cientistas e acadêmicos deixarem para os editores dessas revistas a competência de fazer juízo sobre a ciência e os cientistas. Há universidades nos Estados Unidos, e eu ouvi isso de muitos comitês, que não vão considerar as publicações das pessoas em revistas de baixo fator de impacto.
(…)
Em outras palavras, [essa cultura] coloca o julgamento nas mãos de pessoas que realmente não têm nenhuma razão para exercer juízo em tudo. E isso tudo foi feito com a auda do comércio, porque eles são agora organizações gigantes que estão fazendo dinheiro com isso.
(…)
E todo mundo trabalha para essas revistas para nada. Não há nenhuma compensação. Não há nada. Elas recebem tudo de graça. Elas só têm de empregar um monte de cientistas fracassados, os editores, que são como o pessoal [do Departamento] da Segurança Interna, pequenos ladrões de energia em sua própria esfera.
(…)
Se você enviar um PDF de seu próprio paper a um amigo, então [para as revistas que cobram pelo acesso a seus artigos] você está cometendo uma infração.
Brenner certamente erra ao fazer afirmações genéricas que, em princípio, atingem não só todos os orientadores de pós-graduandos, mas também todos os periódicos e seus editores. Não é possível que toda a produção científica esteja contaminada da forma apontada por ele. Mas suas acusações não podem ser varridas para baixo do tapete. 

Pouca repercussão

As afirmações de Brenner à King’s Review tiveram pouca repercussão. O blog Retraction Watch, que monitora as retratações de publicações científicas, publicou uma nota na segunda-feira (3/mar), mas seu tom foi muito mais suave do que o das palavras ditas por Brenner.
É habitual na comunidade científica um certo silêncio em situações constrangedoras provocadas por integrantes em idade avançada. Um silêncio que por parte de uns funciona não só como uma demonstração de respeito pela carreira, mas também, por parte de outros, como um certo desdém do tipo “isso não passa de excentricidade de celebridade que já deveria estar de pijama”.

Corda em casa de enforcado
Mas certamente Brenner não está só. Essa mesma cultura que ele acusa de ser corrupta é dissecada impiedosamente pelo norte-americano Lindsay Waters, editor de humanidades da Harvard University Press, em seu livro Inimigos da Esperança: Publicar, perecer e o eclipse da erudição, publicado no Brasil em 2006 pela Editora Unesp. Para Waters, a relevância é um atributo que deixou de ser considerado na produção acadêmica contemporânea, dando lugar à competência para produzir mais, publicar mais, substituindo a qualidade pela quantidade. Segundo Waters (pág. 53),

Uma certa timidez permeia o mundo acadêmico no momento. A sabedoria de hoje diz: ‘não formule grandes questões; não pergunte por que as coisas são como são’.

Passados 10 dias desde a publicação online dessa entrevista, não é por menos o silêncio sobre ela na internet por parte de publicações científicas. A situação se aplica perfeitamente à máxima segundo a qual não se fala sobre corda em casa de enforcado.

Fonte

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